segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sobre as escolhas do professor...

Em junho deste ano, na reta final do estágio e do semestre, como estávamos no momento da análise e reflexão sobre o estágio e a partir dele buscar um assunto pertinente para ser abordado no trabalho de conclusão, redigi um texto cujo título era: "Reflexão das atividades é tarefa fundamental do professor"


Planejar é muito mais que somente listar conteúdos em tópicos por disciplina. O planejamento de um professor deve ser pensado para o processo de desenvolvimento global do aluno e, portanto, incutido no Projeto Político Pedagógico escolar, pois visa a crença que a escola aborda nas mais diferentes visões, sejam elas sociais, culturais e étnicas.

Evidentemente, na rede pública de ensino, por experiência própria, sei que todas as instituições educacionais, sejam elas municipais ou estaduais, também estão coligadas aos objetivos da secretaria de educação. Além dos planos de estudos com todos os conteúdos da grade curricular, englobando tudo isso, sobra muito pouco para o professor ter autonomia em sala de aula, porque ele deve dar conta das demandas do Projeto Político Pedagógico, dos objetivos e rotinas de possíveis programas privados adquiridos nos propósitos das secretarias, do estado, da união incutidos na LDB.

Ou seja, para o professor, há todo um modelo a ser seguido e cumprido conforme as normas das instituições. Uma reflexão constante de limites e autonomia. Afinal, até onde vai à autonomia de um professor?

Acredito que com toda essa demanda que deve estar presente no planejamento do professor, a autonomia fica muito centrada nas escolhas das atividades que serão utilizadas em sala de aula e na própria postura do educador, pois muito é cobrado caso ele não dê conta do mínimo (máximo) exposto nos diversos documentos que permeiam a educação em si.

Ensinar é agir na ausência de indicações claras e precisas sobre os próprios alvos do ensino, o que requer necessariamente uma grande autonomia dos professores. Ele é autônomo, em total amplitude que o trabalho dispõe, uma vez que parte dele adaptar recursos, técnicas, metodologias de ensino, etc. Não só comprometimento, mas estudo, dedicação, discernimento, enfim, tudo do que ele se utiliza para levar o aluno a uma caminhada para o saber. Deveria ser mais valorizado, difere de qualquer outra profissão, pois envolve muito trabalho intelectual principalmente porque nem uma criança é igual à outra, não se trabalha com grupos, trabalha-se com a individualidade de cada um, dos diferentes modos de aprender, de pensar, de agir, portanto, ele não atende à turma, ele atende às crianças, nas suas diferentes particularidades.

Ele deve direcionar o planejamento, de modo que possa relacionar às vivências dos pequenos, aprendizagens significativas, conhecimento de mundo e os conteúdos dispostos nos planos de estudos da turma em que os mesmos julgarão úteis para suas vidas.

Além disso, por estar trabalhando com pessoas, das mais diferentes realidades, com bagagens marcadas pela felicidade ou pela tristeza, muitas vezes ele precisa intervir no emocional, para “diagnosticar” o porquê da não aprendizagem, onde deve incentivar para que o aluno se desprenda e consiga prosperar em seus estudos. É um trabalho árduo, cansativo, mas muito recompensador, pois o processo de aprendizagem destes seres é algo lindo de se acompanhar. É pura interação, pois como dizia Paulo Freire, professor e aluno aprendem ao ensinar e ensinam ao aprender.

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